Custa tanto saber o que se sente quando reparamos em nós. . . Mesmo viver sabe a custar tanto quando se dá por isso. . . Falai, portanto, sem reparardes que existis. . . Não nos íeis dizer quem éreis? (Fernando Pessoa).
Estas palavras de Fernando Pessoa em “O Meu Eu Profundo e os outros Eus” parecem traduzir a complexa arte de viver sem a compreensão de nós mesmos. Não pretendo aqui deixar indagações e questionamentos sem respostas (e nem tenho a obrigação disso), mas antes, partilhar a minha visão quase insensata do que representa cada um de nós uns para os outros, para o planeta em que vivemos, para nós mesmos.
Quando criança, aprendi que tudo fora criado por um único ser chamado Deus. Não acho que isso tenha sido ruim, mas desde muito cedo meus questionamentos se fizeram constantes.Se Deus é bom...então porque as coisas ruins?Daí me explicaram que um anjo fugido de Deus, do crivo de Deus, desceu à Terra e semeou o mal.Não consegui aceitar mas confesso, senti medo e cheguei a ter pesadelos. Quando me tornei mãe repeti muitas vezes a mesma explicação, especialmente, quando não tinha respostas para minhas crianças. Provavelmente se um dia tiver netos agirei da mesma forma. Ao estudar a história da evolução do homem compreendi o quanto é falha a sua própria história. Ao deparar com a ciência Deus cai por terra; quando a ciência chega ao seu limite, quando não se consegue explicar cientificamente qualquer questão então se enaltece Deus! Eu e meu amigo Jorge costumávamos conversar horas a fio sobre nossa existência, quando não chegávamos a conclusão alguma partíamos para a cerveja gelada. Melhor assim...
Há pouco tempo comentei com uma amiga que eu me achava estranha, que eu devia ter algum problema porque eu nunca parei para refletir sobre minha própria vida; apenas não concordava com certas teorias e práticas científicas, mas, simplesmente vivia e que eu nunca havia parado para refletir e depois tomar, ou não, decisões que mudassem de curso minha trajetória;simplesmente eu vivo. Não tenho vontade de mudar muita coisa, não tenho dúvidas sobre minha sexualidade e nem vontade de mudar meu ritmo biológico.Eu tenho visto amigos e conhecidos meus que pararam tudo para refletir sobre suas vidas; uns saíram do baú e armários; outros foram fazer tatuagens; alguns se tornaram andarilhos e outro foi para o Tibete repensar a vida! E eu, continuo sem essa necessidade existencial! Acho que minhas necessidades são muito mais materiais: trabalho, recompensa financeira e tudo o que essa recompensa pode me proporcionar; o retorno ao mar de Natal, um novo carro, poder passear nos fins de semana, poder comprar medicamentos e bons alimentos, poder fazer um bom curso, fazer planos. Considero importante o afeto entre as pessoas, o afago, a prática sexual, Para o Planeta contribuo com pequenas ações ecologicamente corretas, afinal não tenho como mudar o mundo e acredito na seleção natural e no curso natural de transformação da Terra onde o homem só acelera os processos de mudança. É... Talvez minha existência não cause muito impacto psicosocial-afetivo-neural a ninguém e isso não me preocupa em nada. Sigo tranqüila, apenas desejo colocar no papel meus pensamentos em relação ao que ainda não compreendo muito bem. SER OU NÃO SER para mim não é apenas a questão, pelo menos não a principal. Ser e não Ter me parece muito mais preocupante na atual conjectura. Ontem um amigo me confessou que a vida conjugal dele melhorou muito depois que ele teve um aumento considerável em rua renda mensal e que ele acreditava agora que “quem gosta mesmo de “p”...é bicha, mulher gosta mesmo é de dinheiro!”, Não só as mulheres gostam de grana, mas todo mundo. Então eu deixo as questões mais profundas àqueles que gostam de divagar muito... Eu divago só um pouquinho, só o tempo de o sono chegar e me levar para o mundo distante dos sonhos, mas isso é assunto para outro texto.
sabe, existem pessoas que podem passar suas vidas inteiras sem se questionar, simplesmente porque estão vivendo de acordo com aquilo que acreditam e isso basta. Cada um deve buscar sua harmonia: uns se auto-questionando periodicamente, outros não se questionando nunca. não alcançamos a Verdade, não estamos evoluídos para isso, então, o melhor é vivermos no que é certo para nós e quando esse certo mudar , a gente muda e se não mudar, tudo bem, a gente continua na mesma estrada. O importante é estar em conconância com o que acreditamos.
ResponderExcluirVocê sabia que nessa questão do "Eu somos nós" faz sentido? Sim, pois ouso até acreditar que eu, talvez seja mais que eu mesmo, haja vista alguns flash de memória. Por exemplo, tempos atrás, enquanto assistia TV veio a minha memória circunstância em que eu estaria vivendo, porém não ali, onde me encontrava naquele exato momento. Entretanto, como disse, foi um flash e não foi possível recuperar o que eu havia percebido. Esses flash são diferentes dos sonhos. Nos sonhos, nos deslocamos para "N' lugares, onde fazemos contatos com pessoas, no entanto, quando acordamos temos a certeza de que para algum lugar viajamos. Esses sonhos são tão bons que, ás vezes temos a vontade de dormir outra vez para assim confirmar tudo aquilo que sonhando.... vivenciamos.
ResponderExcluironde anda você, com suas belas e profundas palavras....
ResponderExcluir